sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Se meu fusca falasse

Segurar aquele volante pela primeira vez foi a sensação mais alucinante que eu tive até então.
O carro não era grande coisa, apenas um daqueles fuscas 66 que mal sobem uma rampa para cadeira de rodas, mas eu me achava o super-man comandando aquela máquina enorme cheia de alavancas e botões.
Quando liguei o carro e aquela luzinha vermelha acendeu no painel senti que o mundo era meu, eu poderia ir para a China, para Veneza, visitar as pirâmides do Egito, eu podia pegar um belo pedaço da Lua de queijo e voltar a tempo do jantar.
Infelizmente não era bem assim, meu pai só permitiu que eu fosse até a esquina e voltasse, mas pra mim era a volta ao mundo em 80 dias.
O carro saiu tossindo aos solavancos enquanto eu tentava me lembrar se devia pisar no acelerador ou na embreagem antes de mudar da primeira para a quarta marcha.
Lembro do meu pai na calçada com as mãos na cabeça gritando em desespero “Freia!! Freia menino!!”, mas eu tinha tudo sob controle.
Não via a hora de contar para as meninas da escola que nunca me deram bola o quanto fui quase um piloto de Fórmula 1.
Após 5 metros de inesquecível pilotagem o carro morreu, e não havia nenhum poder nesse mundo que pudesse trazê-lo de volta a vida.
O guincho nos deixou em casa e o carro na oficina.
Mais tarde contei minha aventura automobilística na escola para as meninas-que-nunca –me-deram-bola, elas continuaram não me dando bola mas na cabeça de um guri de 11 anos dirigir aquele carro por 5 metros foi como conquistar o pico do Everest sem tanques de oxigênio e equipe de apoio.
Hoje parece bobagem, mas é o conjunto dessas pequenas lembranças de infância que fazem um homem ser o que ele é.

9 comentários:

Única e Exclusiva disse...

Esta história faz reviver a minha memória com as minhas lembranças. A primeira vez que andei de bike, primeira queda, primeira festa, e por ai vai. Claro, sobre carro, só soube oq era dirigir na autoescola, né? Mulherzinha não dirige sem carteira. kkkkkkk

Hj posso pilotar uma F1, mas, prefiro Off Road 4x4, dentro de uma trilha, topa?! Risos

Bjos =**

Gisa disse...

Antes que eu me perca, vou deixar um comentario comentando o seu comentario no meu blog, que por sua vez comentava o comentario que eu tinha deixado aqui no seu. hahahaha Te deixei louco, ne?

Bom, eu concordo com voce e devo admitir que gostei muito dessa frase aqui: "Se eu posso te oferecer uma festa completa e você pode me oferecer apenas os balões, serão eles que farão minha festa perfeita". Gostei muito, mesmo.

Quando à inveja saudavel, nao tenha. Eu amo minha vida como ela esta agora, mas para chegar aqui foi um sofrimento indescritivel. Valeu a pena? Ainda nao sei. Faria de novo? Nao. Nada como o nosso Brasil, por mais defeitos que ele tenha. Corrupçao, injustiça, desemprego, serviço medico e sanitario precario? Ha-ha. Nada que a Italia tambem nao tenha.
Mas, como voce disse... aqui faltam os nossos templos... os nossos porto-seguros nos momentos de extremo desespero... as padarias! Ahh, as padarias... como eu tenho saudades delas!!
hihihi

PS importantissimo: Voce assiste friends? Ja viu aquele episodio em que o Joey usa a Phoebe para mostrar à Rachel como reage uma mulher quando ele diz "How you dooooing?" ahahaha, eu tive quase a mesma reaçao com o seu "graça de menina" hahaha. Antes, tudo, obrigadissimo pelo "menina"... e depois pelo "graça" tambem... hahaha

Agora sim, agora que meus pensamentos nao estao mais confusos posso ir ler o seu post tranquilamente!
hahaha

Abraços

Gisa disse...

Fantastico! Ri pra caramba... A vida è tao màgica quando temos 11 anos!
A cena que me faz rir mais foi o seu pai gritando "freia, menino!" hahaha, adoro como voce escreve. Eh interessante, serio, profundo e nada "noioso" (entediante).

Fui!

Glaucia disse...

Nada haver com o seu post, mas hj achei uma coisa bem curiosa, percebi que vc parece com um ator chamado Henry Cavill, que será o novo Superman rsss...
Vc sempre teve mesmo ares de super ...
bj
Glau

Marcelo disse...

Tá me SUPERestimando

Glaucia disse...

Tô nada é igualzinho, os olhos, a boca ... caracas é igual!!!
E vamos combinar, vc tem mesmo ares de super, um ar meio tô nem ligando, que só os seres super podem ter e te conheço faz tempo, se falo que vc é super é pq vc é super, oras bolas rsssssss
bj
Glau

Ela disse...

Teus relatos da infância me lembram de um fusca, zerinho que era relíquia aqui nestas terras. Fazíamos viagens animadíssimas cantando no banco de tras. Ir ao volante nunca nos foi permitido, srrsrs.

Um homem é sim composição de doces e nem tão doces vivências.

abraço grande!

Ela disse...

P.s - Adorei a casa nova!

Casa de Mariah disse...

Os homens, no geral, têm uma relação bem esquisita com os carros.
Nós, mulheres, temos com nossas bolsas. Mas, sinceramente, não lembro da minha primeira bolsa.
Beijos