quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O Fabulista

Repenso pensamentos, desarticulo palavras, desconstruo invenções, confundo certezas, nego verdades, confirmo mentiras.
Reescrevo escritas, apago o que ainda nem escrevi...
Leio páginas vazias, releio o que eu ainda não li.
Visto-me de hiatos, dispo-me ditongo...
Caso com oxítonas, palavras agudas, faço amor na derradeira linha (ponto e vírgula).

Concebo um filho no ponto final.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Anni

"Sabe...Eu quase morro de ciúmes ao ver você tão entregue.
Eu sei que disse que queria você feliz, eu sei que disse, eu lembro que disse.
Que eu queria você com uma mulher que desse a você tudo aquilo que eu não pude dar, tudo aquilo que você merece ter. Tudo aquilo que eu queria te dar mas não dei. Não pude dar, sei lá...

Tá, eu sou confusa, complicada, chata, imperdoável, boba...Sou, sei que sou. Mas sou uma menina lembra? Você não diz que ama meninas? Eu sou uma, mas não te amo.

Não te amo! Quero que você morra santo e puro! Quero que você se converta à Santa Ceia Apostólica Romana por gentileza. Quero que você vire um padre, daqueles que nem pensam em mulheres. Você pode?

Mudei de idéia.
Não quero mais você feliz. Quero você puro!
De preferência feliz da vida com o celibato.
Você não vai me ter de volta, mas nem por isso vai ter outra que comece algo com você.
Só porque você é meu. Só porque eu te ganhei,e vivemos tanto tempo juntos.(lembra das brigas que tivemos por ciúme seu??)

Você sabe quantos caras me querem né? Já sei o que fazer...Vou escrever um texto apaixonado pra outro. Você vai ler? Vai gostar?

Eu te odeio!"

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Mônica...Meu nome é Mônica!!!

Ela usava aquelas longas botas negras...Adoro garotas com botas negras que fazem toc-toc...
Encostada na parede de porcelana azul, bracinhos cruzados...Adoro garotas que cruzam os braços.
Cabelos longos, olhinhos infantis...Adoro isso também.
Ela era tão mais do que perfeita que fiquei em estado de choque ao vê-la (Cara, gata DEMAIS!!! Um exagero, nem precisava daquilo tudo peloamor oO).
Minha reação foi a de um menino de 15 anos frente a frente com uma daquelas Deusas intocáveis de revistas masculinas.
_Má?
_Marcia?
Pois é...O cara inteligente, perspicaz e muito esperto aqui a chamou por outro nome na primeira vez que ela ouve minha voz ao vivo, e não tenho a MENOR idéia de onde surgiu esse outro nome. Mas a merda estava feita e o lance era me safar dessa sem perder alguns membros vitais.

Lembro que a seguir rolou uma desconfortável pausa de uns 5 segundos...
Me agachei aos seus pés para pegar sua bagagem, não sabia se pegava aquilo ou beijava suas botas negras como prova de desculpas. Mas creio que se eu escolhesse pela segunda opção ela chamaria a Swat de vez.
_Mônica, oi. (Errr)
_Oi Má...¬¬

Como sou um profundo e dedicado estudioso da alma feminina, sabia que uma das coisas que elas mais odeiam é que troquemos seus nomes.
Me senti como aquele cara que é pego na cama com outra, ou coisa pior...Pego usando roupas de couro na cama com um negão de 2 metros.
Claro que ela queria me mandar a merda mas, como uma dama que é, foi delicada, educada e carinhosa.

Fomos para minha casa, ela ficou ainda um tempo me encarando como se eu fosse o Quasimodo ou o próprio demo encarnado.
Mas, como eu não tinha corcunda nem pés de bode, as coisas rolaram como deveriam. (Ufa)

Moral da história: Se você for um cara que vai encontrar sua mina pela primeira vez, trata de chegar 1 hora antes, respirar em algum balão de oxigênio puro, beber uma coca, ir ao espelho ver se você está apresentável, retocar a maquiagem, se pentear de novo, reforçar o Malbec, ouvir as 2.000 músicas do seu IPod e deixar que ELA fique nervosa e completamente perdida, nunca você!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mo...

Não esquecemos o que passou. O que passa, fica...
Ninguém substitui ninguém. As pessoas vão somando-se em nossas vidas, em nossas memórias, em nosso coração como retalhos multi cores para costurarmos belas colchas que nos aqueçam sempre que precisarmos de calor...
Apagar o que vivi, apagar minhas lembranças, mesmo que me machuquem, fará de mim um homem vazio, um homem frio, um homem razo.
E aprecio profundidades... Não vou permitir que meu escafandro enferruje largado em algum canto do quarto.
O passado me impele a prosseguir, como um cometa de calda longa e brilhante.
Minhas lembranças me fazem aprender, como uma biblioteca de mil prateleiras.
Meus amores me são caros, como tesouros que pilhei.

E o mar sempre me trás coisas belas... Quando eu não peço mais, quando eu não espero mais, alguma preciosidade se apresenta, rouba meus livros, bagunça minhas gavetas e torna a minha vida uma nova e incomparável experiência.
Dessas que eu nunca quero chamar de passado.
Dessas que eu quero chamar de resposta.
Ou simplesmente chamar de amor...

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ela manda e eu obedeço porque não sou bobo nem nada


Marília, a qual merece um post para decifrá-la aos meus olhos (ainda faço isso) me incumbiu de apontar dez fatos, comportamentos ou pessoas para as quais eu daria cartão vermelho (Suplicy fazendo escola?).
Não sou adepto de memes, selos, correntes e afins, porém como trata-se de um pedido da Marília...Eu não teria como dizer não.
Pois bem, eis os dez fatos, comportamentos ou pessoas que eu expulsaria de campo e mandaria para o chuveiro:

1 - Solidão.
2 - Pessoas hipócritas (putz, e conheço tantas).
3 - Saudades.
4 - Namoradas que entram numas de terminar comigo (agora decidi que EU quem vou terminar antes que elas o façam. Pronto, falei).
5 - Tristeza.
6 - Desejo de termos o que não podemos ter.
7 - Melancolia.
8 - Crianças que trabalham (lugar de criança é na escola, jogando bola ou brincando de boneca, cacete!!!).
9 - Insônia.
10 - Mulheres temerosas, inseguras e indecisas (meu, como eu odeio, afff. Morro de tesão por mulheres corajosas, convictas e decididas, mas onde eu acho isso?!).

Segundo a minha querida-linda-gostosa-e-toda-poderosa , eu deveria também indicar aqui cinco blogs para dar continuidade a esse meme. Mas como ela sabe o quanto sou rebelde-sem-causa, não o farei (depois ela me dá um esporro no msn mas beleza,rs).

Beijos e queijos.

domingo, 13 de setembro de 2009

Pequeno diálogo na semana passada com uma adorável (e curiosa) interlocutora


_Você tem um olhar triste...É caladão, mais ouve do que fala, sempre na sua, meio que desligado do mundo, você é triste?!
_Hahaha, não, não. Apenas alterno bons e mals momentos como todo mundo.
_Então por que esse seu jeitinho tão reservado? Mesmo em uma reunião tão agitada como essa você está aí, perdido nos seus pensamentos, sei lá...Cadê sua namorada???
_Aiaiai, rs.
_Aaaaah, então é isso!!! Você precisa de uma namorada, eu sabiaaaa!!!
_Hahahahahaha, meudeus não! Nada disso, vamos com calma. Eu não sou triste, sou na minha sim porque trata-se da minha natureza ser ensimesmado e não, eu não sou desligado do mundo. Sempre estou bem ciente de tudo o que se passa a minha volta.
_Mas você sente falta de alguém né?
_Todos sentimos falta de alguém, você não?
_É verdade...Mas e se esse alguém que você sente falta voltasse, assim, num passe de mágica, o que você faria?
_Eu não ouviria mais que tenho um olhar triste.
_rs

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A frágil estrutura da bolha de sabão


Em fases anteriores eu escrevia com a facilidade que uma criança chuta uma bola em direção ao campo aberto.
Não pensava sobre o que escrever, como construir as frases ou desenhar as palavras, eu simplesmente escrevia e ponto.
Tinha que me policiar pois a profusão de palavras era tamanha que vazava entre as folhas não permitindo que meu raciocínio, embora rápido, as acompanhasse na mesma velocidade em que nasciam.
Meus sentimentos, desejos, alegrias e angústias expressavam-se com uma facilidade espantosa.
Tornava-me um simples escriba de mim mesmo, e permitia que minha alma ditasse o que ela bem quisesse, sem questionar, sem hesitar, sem mudanças de idéia ou volteios em contextos mesmo que assimétricos ou desconfortavelmente herméticos.
As palavras foram minhas melhores amigas íntimas por um longo tempo, e eu dançava com elas no espaço infinito de uma página em branco, as abraçava, as beijava, fazíamos amor na frente de todos sem o menor pudor.
Certo dia e sem nenhuma explicação plausível, elas me abandonaram, tornaram-se furtivas, quase que inalcançáveis.
Não permitindo mais que eu as tocasse sem que evaporassem no ar em minúsculas gotículas frias explodindo como frágeis bolhas de sabão. As mesmas que inflavam-se ao meu menor suspiro.
Restou-me a saudade, a lembrança melancólica de tantas frases que me decifravam tão bem e o desejo de, um dia, reencontrá-las em algum universo paralelo ainda flutuando em mim prontas para, mais uma vez, tornar o papel em branco nossos lençóis.