Vou te contar um segredo...
E que esse segredo fique guardado apenas entre nós dois.
Quando estou submerso, cercado apenas por minúsculas bolhas de ar que insistem em buscar a superfície, e nada me aflige, nem frio ou calor, nem desejos ou dores, nem teto ou chão, flutuando ao sabor de ondas sonoras que vibram ao menor movimento de meus dedos nadando entre prateados cardumes de letras, prendo minha respiração e por alguns instantes, mesmo que em um claro lampejo insano, perco-me na imensidão azul da possibilidade de mais uma vez mergulhar em você.
Amenidades
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Was ist schlecht daran, das ist die Lösung
Pouco adianta acreditar que algo está resolvido quando não está.
É definitivo, para certos problemas não existe solução.
Eu disse não existe.
Nem tempo, nem remédios amargos, pílulas, injeções de penicilina ou ânimo.
Nada soluciona.
Então resta-me conviver com isso pelo resto dos meus dias como parte de mim, como carma, ferida, cicatriz, tatuagem ou seja lá como prefira chamar.
Cometi tantos erros que não posso enumerar sem o auxílio de alguns brilhantes matemáticos de Princeton.
Mas...Como não posso simplesmente voltar no tempo, mesmo acreditando cegamente nas teorias quânticas de Steven Hawking, e consertar tudo, fazer tudo diferente, tenho mesmo que aceitar no que vejo quando abro os olhos e seguir em frente como qualquer tolo cambaleante faria ao perceber que não há mais pubs abertos.
Nada está resolvido, nunca estará.
Eis a solução.
É definitivo, para certos problemas não existe solução.
Eu disse não existe.
Nem tempo, nem remédios amargos, pílulas, injeções de penicilina ou ânimo.
Nada soluciona.
Então resta-me conviver com isso pelo resto dos meus dias como parte de mim, como carma, ferida, cicatriz, tatuagem ou seja lá como prefira chamar.
Cometi tantos erros que não posso enumerar sem o auxílio de alguns brilhantes matemáticos de Princeton.
Mas...Como não posso simplesmente voltar no tempo, mesmo acreditando cegamente nas teorias quânticas de Steven Hawking, e consertar tudo, fazer tudo diferente, tenho mesmo que aceitar no que vejo quando abro os olhos e seguir em frente como qualquer tolo cambaleante faria ao perceber que não há mais pubs abertos.
Nada está resolvido, nunca estará.
Eis a solução.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Noturno
Gosto da noite.
Quando todos dormem, sem aviões sobrevoando minha casa, carros zunindo pelas ruas, celulares tocando, visitas inesperadas.
O silêncio da madrugada deixa as músicas mais claras, a escuridão meus pensamentos mais audíveis.
Me encontro em algum lugar secreto que só existe quando perco-me das obrigatoriedades diárias.
Gosto da minha companhia, e de todas as lembranças trazidas pelo minimalista éter noturno.
Gosto do aroma leitoso da noite quando vou a varanda observar a Lua enquanto termino meu derradeiro café.
Quando todos dormem, sem aviões sobrevoando minha casa, carros zunindo pelas ruas, celulares tocando, visitas inesperadas.
O silêncio da madrugada deixa as músicas mais claras, a escuridão meus pensamentos mais audíveis.
Me encontro em algum lugar secreto que só existe quando perco-me das obrigatoriedades diárias.
Gosto da minha companhia, e de todas as lembranças trazidas pelo minimalista éter noturno.
Gosto do aroma leitoso da noite quando vou a varanda observar a Lua enquanto termino meu derradeiro café.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Para sempre
Você vai se lembrar de mim como uma possibilidade não vivida.
Como um louco, um raio, um furacão.
Você vai se lembrar de mim como um terremoto.
Um ferida, um pesadelo, uma dor, um sonho desfeito.
Você vai me guardar como um erro não cometido, um mistério revelado, o capítulo final de um livro mal escrito.
Perdido em suas estantes...
Não vai querer meu nome em sua boca, em seus ouvidos, reverberando em seus frágeis ossos.
Vai fugir de mim sorridente, absolutamente certa de que não está errada.
Mas você vai se lembrar...
Você vai se lembrar de mim como um monstro, um temor, o Minotauro no centro do seu matematicamente traçado e milimetricamente percorrido labirinto.
Serei sempre o quase, o talvez, o poderia ser e o jamais.
Nos átimos da sua vida sou um fantasma, uma sombra, um sussuro inaudível.
Uma presença amputada pelas nossas próprias serras cegas...
De alguma forma sempre faremos parte da vida um do outro, mesmo não estando, mesmo não vivendo, mesmo mortos e mesmo não existindo de fato.
Sou o que nunca fui.
E, pra mim, você a que sempre será...
Como um louco, um raio, um furacão.
Você vai se lembrar de mim como um terremoto.
Um ferida, um pesadelo, uma dor, um sonho desfeito.
Você vai me guardar como um erro não cometido, um mistério revelado, o capítulo final de um livro mal escrito.
Perdido em suas estantes...
Não vai querer meu nome em sua boca, em seus ouvidos, reverberando em seus frágeis ossos.
Vai fugir de mim sorridente, absolutamente certa de que não está errada.
Mas você vai se lembrar...
Você vai se lembrar de mim como um monstro, um temor, o Minotauro no centro do seu matematicamente traçado e milimetricamente percorrido labirinto.
Serei sempre o quase, o talvez, o poderia ser e o jamais.
Nos átimos da sua vida sou um fantasma, uma sombra, um sussuro inaudível.
Uma presença amputada pelas nossas próprias serras cegas...
De alguma forma sempre faremos parte da vida um do outro, mesmo não estando, mesmo não vivendo, mesmo mortos e mesmo não existindo de fato.
Sou o que nunca fui.
E, pra mim, você a que sempre será...
terça-feira, 28 de junho de 2011
Segundo ato
Para mim escrever era um ato de exorcismo.
Imprimir meus fantasmas em páginas tão brancas quanto seus véus fazia de mim um homem mais corajoso, mais convicto, melhor resolvido.
Porém, para minha surpresa, expor meus fantasmas de forma tão aberta na única tentativa de livrar-me deles teve um devastador efeito colateral que eu não havia lido nas letras miúdas da bula.
Minhas linhas, ou o efeito delas, trouxe-me o pior dos fantasmas. E para superar essa assombração não existe remédio.
Aconselharam-me os sábios que o tempo, em doses diárias, iria me curar.
Os românticos apontaram meu coração e afirmaram que eu deveria seguir seus desígnios sem questionamentos.
Poetas velhos amigos decretaram que sou afortunado por morrer de amor, exatamente como seus colegas em tempos medievais ao morrer de tuberculose esperando na chuva que suas impossíveis amadas abrissem as janelas de seus casarões e jogassem no gramado um lenço de seda embebecido do perfume de seus seios.
Meu veneno é esperar na chuva minha impossível amada, que nasceu das minhas linhas de exorcismo, tornou-se meu maior desígnio, minha insanidade mais presente, minha teimosia insistente, mas que jamais irá voltar.
Hoje, para mim, escrever é um ato de heroísmo.
Imprimir meus fantasmas em páginas tão brancas quanto seus véus fazia de mim um homem mais corajoso, mais convicto, melhor resolvido.
Porém, para minha surpresa, expor meus fantasmas de forma tão aberta na única tentativa de livrar-me deles teve um devastador efeito colateral que eu não havia lido nas letras miúdas da bula.
Minhas linhas, ou o efeito delas, trouxe-me o pior dos fantasmas. E para superar essa assombração não existe remédio.
Aconselharam-me os sábios que o tempo, em doses diárias, iria me curar.
Os românticos apontaram meu coração e afirmaram que eu deveria seguir seus desígnios sem questionamentos.
Poetas velhos amigos decretaram que sou afortunado por morrer de amor, exatamente como seus colegas em tempos medievais ao morrer de tuberculose esperando na chuva que suas impossíveis amadas abrissem as janelas de seus casarões e jogassem no gramado um lenço de seda embebecido do perfume de seus seios.
Meu veneno é esperar na chuva minha impossível amada, que nasceu das minhas linhas de exorcismo, tornou-se meu maior desígnio, minha insanidade mais presente, minha teimosia insistente, mas que jamais irá voltar.
Hoje, para mim, escrever é um ato de heroísmo.
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Para um fantasma de vestido estampado
O que sinto por você é de uma beleza, uma verdade e uma profundidade sem fim.
É uma saudade inebriante, um nome que não me sai da cabeça, um rosto que lateja em meus olhos e um sabor que insiste em minha boca.
Não existe um dia, tarde ou noite em que eu não pense em todos os momentos que tivemos juntos. Os bons e os ruins...
Você é uma presença invisível, uma ferida aberta, um sonho acordado, um fantasma imortal.
O que sinto me envolve de tal forma que não tenho mais como e nem onde me esconder.
Não encontro substitutos nem remédios paliativos.
Já tentei te odiar, tentei te ignorar, desprezar, tentei rir de você como se você fosse apenas mais uma das muitas loucuras em minha cabeça.
Mas você não é...
Não você.
Você é tão real que chego a tocar seu rosto todo dia, e acordar ao seu lado com todos aqueles beijos que te acordei.
Fico com você sob aquela mesma árvore e te mostro a paisagem que nos cerca.
Subo com você aquela mesma escada rolante, e ali nos beijamos pela primeira vez dia após dia, ano após ano...
Te amo com a maior verdade que essa palavra pode ter.
E insisto em acreditar que ainda vamos nos encontrar de novo, em algum dia em algum lugar.
Nem que seja para você dizer, olhando em meus olhos, que realmente não me ama mais.
E que eu não sou o amor da sua vida, assim como você é o da minha...
É uma saudade inebriante, um nome que não me sai da cabeça, um rosto que lateja em meus olhos e um sabor que insiste em minha boca.
Não existe um dia, tarde ou noite em que eu não pense em todos os momentos que tivemos juntos. Os bons e os ruins...
Você é uma presença invisível, uma ferida aberta, um sonho acordado, um fantasma imortal.
O que sinto me envolve de tal forma que não tenho mais como e nem onde me esconder.
Não encontro substitutos nem remédios paliativos.
Já tentei te odiar, tentei te ignorar, desprezar, tentei rir de você como se você fosse apenas mais uma das muitas loucuras em minha cabeça.
Mas você não é...
Não você.
Você é tão real que chego a tocar seu rosto todo dia, e acordar ao seu lado com todos aqueles beijos que te acordei.
Fico com você sob aquela mesma árvore e te mostro a paisagem que nos cerca.
Subo com você aquela mesma escada rolante, e ali nos beijamos pela primeira vez dia após dia, ano após ano...
Te amo com a maior verdade que essa palavra pode ter.
E insisto em acreditar que ainda vamos nos encontrar de novo, em algum dia em algum lugar.
Nem que seja para você dizer, olhando em meus olhos, que realmente não me ama mais.
E que eu não sou o amor da sua vida, assim como você é o da minha...
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Alimento
Sinto Fome de música como de arroz e feijão.
Se fico um dia sem ouvir meus sons sinto que definho.
Porém o que ouço deve ser de alta qualidade.
Se não posso comer caviar com trufas brancas pelo menos alimentar minha alma com o que de melhor existe musicalmente é algo que não abro mão.
Nunca entendi quem gosta de pagode, axé, sertanejo...Acho isso tudo um lixo sem fim.
TODAS essas músicas rimam “coração” com “paixão”, perceberam? Picaretagem, e não música.
Costumo pesquisar artistas desconhecidos, digitar em meu buscador coisas como “wings” e ouvir as músicas que aparecem ali.
Dessa forma descobri muitos tesouros escondidos como a primeira banda da Bjork (Sugarcubes), My Morning Jacket, Mellowdrone, No Man, Frou Frou, Kent, Vikter Duplaix e tantas outras maravilhas.
Meshell Ndegeocello é uma velha conhecida minha, a ouço desde sempre, pouca gente já ouviu falar ou cantar, e para quem não conhece e pretende descobrir coisas novas, coloquei uma das músicas dela que mais amo do lado direito dessa página.
Bom apetite...
Se fico um dia sem ouvir meus sons sinto que definho.
Porém o que ouço deve ser de alta qualidade.
Se não posso comer caviar com trufas brancas pelo menos alimentar minha alma com o que de melhor existe musicalmente é algo que não abro mão.
Nunca entendi quem gosta de pagode, axé, sertanejo...Acho isso tudo um lixo sem fim.
TODAS essas músicas rimam “coração” com “paixão”, perceberam? Picaretagem, e não música.
Costumo pesquisar artistas desconhecidos, digitar em meu buscador coisas como “wings” e ouvir as músicas que aparecem ali.
Dessa forma descobri muitos tesouros escondidos como a primeira banda da Bjork (Sugarcubes), My Morning Jacket, Mellowdrone, No Man, Frou Frou, Kent, Vikter Duplaix e tantas outras maravilhas.
Meshell Ndegeocello é uma velha conhecida minha, a ouço desde sempre, pouca gente já ouviu falar ou cantar, e para quem não conhece e pretende descobrir coisas novas, coloquei uma das músicas dela que mais amo do lado direito dessa página.
Bom apetite...
Assinar:
Postagens (Atom)