domingo, 26 de outubro de 2008

Devaneios abstratos de um homem só debruçado na janela da sua cozinha enquanto observa as montanhas distantes, coloridas pela luz da Lua de primavera.

Penso que, apesar do grau de inteligência que possamos ter (Alguns mais e outros menos), nem sempre a utilizamos a nosso favor.
Assim como em casa de ferreiro o espeto é de pau, muitas vezes deixamos de utilizar os nossos talentos neurais de forma apropriada e construtiva...
É bem verdade que ninguém em sã consciência teria o desejo de se auto-prejudicar deliberadamente, mas isso ocorre com mais freqüência do que imaginamos.

Interessante notar que, às vezes, algumas pessoas sequer percebem o que estão fazendo (E me incluo entre elas), caminham indubitavelmente rumo à sua própria destruição.
Quando se dão conta da proximidade do abismo, muitas vezes é tarde demais. Outras vezes ainda é tempo para mudar de rumo e de estrada.
E, segundo o que acredito, esse “auto-destruir” tem muitas caras; Pode ser trair quem você ama, usar drogas, se jogar de um edifício, enfiar a cara no forno, ser amigo de gente má, dar ouvidos a quem só quer te ferrar, mentir, enganar, desejar o mal, fumar, beber, dirigir à 150km/h numa estrada sinuosa, abandonar quem você ama de verdade, entre tantas outras coisas...

Todos estamos sujeitos à erros enquanto humanos falíveis que somos.
Errar faz parte do aprendizado. Ninguém aprende sem errar assim como ninguém sente prazer sem antes sentir dor.
Erros, aprendizagens, prazer e dor fazem parte de um mesmo ciclo, de uma mesma vida, e tem mais, ou menos, importância ou intensidade dependendo das nossas escolhas.
Escolhas essas que baseiam-se na nossa educação, nas nossas convicções e nas nossas experiências.

Mas sabe o que mais me intriga nisso tudo? Nem sempre somos senhores das nossas escolhas...
O nosso coração, por exemplo...É ele quem escolhe quem devemos amar, ele quem escolhe quem vai ser o dono dos nossos pensamentos, desejos e sonhos, é uma entidade com vontade própria pulsando em nosso peito, autoritário, burocrático e intransigente.

Quem não gostaria de ter um botão “On-Off” em seu coração? Uma chave liga-desliga para paixões, amores, saudades e desejos?
Quanto sofrimento desnecessário evitaríamos com isso, não?
Eu adoraria ter uma dessas...Já teria “desligado” muita gente se eu pudesse. Mas não posso...Não podemos.

Então nos restam algumas poucas opções; Tentarmos nos convencer de que não amamos mais determinada pessoa, tentarmos substituir ela por outra pessoa (Acho péssima essa hipótese, aliás), tentarmos corrigir os nossos erros e não mais cometê-los, esperarmos que o tempo resolva, nos fazermos de surdos-mudos e cegos, nos acovardarmos de vez, ou lutarmos por quem amamos apesar de tudo e de todos.
Cito o “todos” ali porque, geralmente, quando estamos em algum tipo de crise, muitas pessoas aparecem com vários tipos de conselhos e experiências a fim de nos ajudar.

Sim, elas querem mesmo nos ajudar!
O problema é que, muitas vezes, isso só nos confunde mais ainda.
Então nos encontramos em uma desconfortável tríade; Erro, dor e vontades alheias para a nossa “felicidade”.

Como somos senhores dos nossos destinos, desejos e arbítrios, cada um segue o caminho que quiser, cada um realiza (Ou não) as suas próprias vontades e escolhas.
Se essas escolhas estão corretas ou não só saberemos no futuro. Quem sabe daqui à 10 anos casado com uma pessoa que não amamos de fato, saudosos de quem deixamos para trás apenas por medo, ou quem sabe no dia seguinte após lembrarmos que esquecemos de lembrar do que realmente importa...

Desse ponto eu volto ao primeiro parágrafo desse meu interminável estudo:
Penso que, apesar do grau de inteligência que possamos ter, nem sempre a utilizamos a nosso favor.
E, repito, eu me incluo em tudo o que eu disse aqui.
Eternamente, indubitavelmente e inexoravelmente.

Um dia serei inteligente de fato.

Ou não...

É...
O amor nos emburrece.

Ao som de Toll-Schism

32 comentários:

Marília Silveira disse...

"É bem verdade que ninguém em sã consciência teria o desejo de se auto-prejudicar deliberadamente, mas isso ocorre com mais freqüência do que imaginamos." - a isso que tu descreves, eu diria, são as atuações do nosso inconsciente - taí meu devir psicanalista falando.

Mas comparto de muitas das tuas idéias, dessa dificuldade louca que é viver. Dessa dor insana que é viver e que dirá amar.

Somos responsávis por nossas escolhas - aquela parte do estar casado 10 anos com uma pesosa que não amamos me doeu muito pensar - e enfim, é isso que podemos saber, não muto mais.

Problema maior talvez, é além de termos que dar conta das nossas ignorâncias conscientes, quando amamos ainda nos deparamos com as ignorâncias dos nossos amores. E bota um inconsciente (ou dois) aí no meio... já viu né...

pano pra manga de uma vida inteira.

tossan disse...

Pode ser que fiquemos burrinhos, mas não é o caso de quem fez esta bela narrativa. Abraço

Juliana David disse...

Marcelo,

O amor é um sentimento para ser depositado primeiramente em você e depois compartilhado com outro.
As vezes quando estamos envolvidos tudo fica mais difícil de ser enxergado. Mas é preciso não perder o eixo. Temos momentos de crise, de confusão, de dúvidas, de medo, de insegurança. Mas a partir do momento que aceitamos ter isso tudo e acreditamos em nós mesmos, conseguimos administrar a situação e visualizamos a realidade com mais clareza. Aceitar que o outro não te quer mais, mesmo amando esse outro é muito duro. Mas, se mudar o foco e pensar que essa outra pessoa abriu mão de estar com você e perdendo a oportunidade de usufruir as coisas boas que você teve a oferecer. Olhe para você mesmo e veja se não se sente melhor. Você já é completo, todos somos, o outro vem somente para acrescentar. Nós nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Não podemos colocar no outro a responsabilidade da nossa felicidade, quando muito o outro pode ser parte dessa felicidade.

Tudo fica mais fácil e você realmente enxerga que já é completo.

Fique bem. Ah!!! E conselhos são só conselhos. A direção que tomará na sua vida só diz respeito a você mesmo. Se um conselho te confunde, abandone este. Se o mesmo te ajuda, aproveite. Só não fique confuso com as opiniões alheias. Estamos quase todos aqui, bloguistas para compartilhar pensamentos, emoções, vivências. E é sempre bom te visitar. Só espero não te atrapalhar em seus pensamentos.

Um grande beijo.

Juliana David

Marcelo Martins disse...

Nada mais me atrapalha, Jú =)

Anônimo disse...

Desejar o mal, fazer o mal...mas não e o que você faz e melhor?
É o que está rolando na internet.

Marcelo Martins disse...

Quando vc não for mais covarde, eu te repondo.
Na boa.
Adoro ver os olhos de quem me vê.
Por ai...

paula barros disse...

Seu texto muito coerente e condiz com o que penso. Nos boicotamos mais do que percebemos, na maioria das vezes.

Uma coisa que me intriga é que não escolhemos de quem vamos gostar, mas porque continuamos a gostar de algumas pessoas que não nos fazem bem? Uma vez escrevi um texto que se chama "A pulga e o cachorro sardento". Que era uma auto-análise de um amor que mas me fazia sofrer, mas que devia alimentar algo.

Quanto aos conselhos, e pitacos, quando colocamos algo no blog, ainda ficamos mais sujeitos a interferências, e com o agravante da situação não ser tão clara.

abraços e tudo de bom.

Luciana disse...

"Mas sabe o que mais me intriga nisso tudo? Nem sempre somos senhores das nossas escolhas...
O nosso coração, por exemplo...É ele quem escolhe quem devemos amar, ele quem escolhe quem vai ser o dono dos nossos pensamentos, desejos e sonhos, é uma entidade com vontade própria pulsando em nosso peito, autoritário, burocrático e intransigente.

Quem não gostaria de ter um botão “On-Off” em seu coração? Uma chave liga-desliga para paixões, amores, saudades e desejos?
Quanto sofrimento desnecessário evitaríamos com isso, não?
Eu adoraria ter uma dessas...Já teria “desligado” muita gente se eu pudesse. Mas não posso...Não podemos."
Penso exatamente assim!

Da uma olhada lá no meu Blog e leia o texto "Quando sou fraco é que sou forte"

Ah,primeira de muitas visitas!
Bjo

BelaCavalcanti disse...

querido marcelo, tão difícil hj em dia confiar e acreditar no que alguem sente... Gosta de política internacional? Tem um texto brilhante la no blog.
beijos.

Cora disse...

"- Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas."

escolhas. tudo são escolhas.
escolhas e lições... e um rio de experiência.

... disse...

Sempre achei que eu fosse uma guria inteligente, até que cometi uma sequência de erros que mostraram a fragilidade dessa minha suposta inteligência. O que aprendi com isso ???
Que a maioria dos erros são irreparáveis, que a maioria dos caminhos tem só a mão de ida, que viver é complicado , acertar é difícil e errar trás consequências muito ou pouco graves.
Ou seja, quase tudo no final resume-se em alguma forma de dilema, dúvida, dor e por vezes prazer se existir um pouco de sorte e competência na arte dos relacionamentos humanos.
Pode-se ter sim, um pouco de felicidade, serão momentos breves, mas que irão valer por todos os outros momentos da vida onde a felicidade não fez-se presente.
Aprendi também que conselhos são inúteis, não servem nem mesmo para seus autores, que na maioria das vezes somente os dizem e não os praticam.
Mas o maior de todos os aprendizados, resume-se na questão de:
Ousar saber de si mesmo.
De nada adianta saber as opniões alheias sobre o temperamento ou os pensamentos que temos, no fundo isso não passa de uma transferência de responsabilidades,pois se o que o outro acha de nossa forma de ser não nos agrada podemos simplesmente nos afastar, mas quando sabemos de si é preciso conviver com a exatidão desse conhecimento, pois ninguém consegue fugir de si mesmo.
Assim, o que trás evolução de fato é o ousar saber de si, conhecer-se e assumir o que realmente somos e sentimos,para assim traçarmos o caminho que desejamos, porém nada disso é simples muito menos indolor...
Glaucia

Edna Federico disse...

É, temos sempre um pezinho na auto-destruição, é fato!
É aquela história de viver no limite...
Beijo

Camila disse...

Marcelo, adorei o título (e o conteúdo, obviamente) desta postagem! Se parece com o que ando fazendo estes dias...
Oh vida, viu?! Mas tá baum.
Beijos e boa semana


Ps1. Que o AMOR SIMPLES nos encontrem!

Ps2. Que babaca anonimo, heim?! Proibi em meu blog postagens assim, pois acho que se a pessoa tem coragem de criticar/ofender tem que tê-la para mostrar quem é!

Patricia disse...

Não poderia começar meu comentário sem falar do título...
"homem debruçado na janela da cozinha euquanto observa as montanhas distantes, coloridas pla luz da lua de primavera"... imagino essa vista é deve ser um sonho, né? rsrsr

Realmente, ninguém quer causar seu próprio mau, mas as vezes agimos achando que esse mau é o nosso bem e nem sempre é assim. Mas com nossos erros que aprendemos e assim construímos ( ou tentamos ) um futuro do nosso agrado.

Um botão on-off no coração, seria bom ,mas, pense bem, se nós utilizássemos ele em momento inoportuno talvez nos privaríamos de certos sentimentos ou descobertas por medo ou insegurança, ou por achar que é errado e no fundo seria um bom sentimento para nós.
Ás vezes temos que passar por certas dores para descobrir novos sentidos em nossas vidas.


Beijos, gato!

Ps: Esses loucos de plantão da net não te dão sossego, hein!!!

Pelos caminhos da vida. disse...

Bela narrativa,já me peguei na janela tb pensando igualzinho vc,mas hoje cansei,procuro deixar o coração de lado e procuro agir pela razão.
A vida é um eterno aprendizado,mas tem horas que a gente cansa de errar,é errando que se aprende,então já aprendi o suficiente.

Tem post novo lá.

Bom dia.

beijooo.

Maria Flor disse...

É marcelo,
Em parte concordo com você, mas acho que nada tem a haver com inteligência.
Escolhas, o são e nada mais. Se são boas, ou más , só o tempo dirá.
Mas o botão off poderia nos salvar de abismos, não tê-lo é um desafio, mas no fim das contas que bom é poder escolher e vivenciar todas as consequências do caminho escolhido.

beijocas!

Dama de Cinzas disse...

Existe algo chamado de inteligência emocional. Algumas pessoas têm a capacidade de usar a inteligência para melhorar sua vida. Outras, que estão até bem próximas de mim, são bem inteligentes mas isso não os ajuda em nada!

Beijocas

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Marcelo:
A inteligência também nos ensina que toda dor passa desde que passemos por ela. Nenhuma das hipóteses que vc sugeriu, a meu ver, devem ser seguidas. O negócio é ir levando a vida, pois um belo dia você acorda e já não sente mais aquela dor, parece algo remoto, distante, no passado.
Mas, repito, é preciso passar pela dor, senão nunca seremos capazes de superá-la.
Gostaria muito que fosse ao meu Blog Galeria, pois fiz a resenha do filme "Uma relação pornográfica", que de pornográfica nada tem. O filme versa sobre o amor.
Um abraço,
Renata
PS: Há uma moça nova na Blogosfera, que tem um blog meio porno-erótico, mas que também posta cultura. Sou sua única comentadora.
Vá lá dar uma força para ela e ver cenas picantes, quem sabe vc melhora:
http://pssolitaria.blogspot.com

:: Fatima :: disse...

Concordo quando diz que o amor nos aborrece!Mas saiba que te acho um cara muito inteligente e que sabe sempre se expressar,eu confesso que muitas das vezes tenho muita dificuldade,o que me faz pensar que sou burra!

Obrigado pela visita e volte sempre!

boa semana!
bjos=)*

BANDEIRAS disse...

Querido amigo poeta, há uma enquete em bandeiras, me honraria muito o teu voto.

Obrigada

Bjkas

Camila :) disse...

Interessante notar que, às vezes, algumas pessoas sequer percebem o que estão fazendo (E me incluo entre elas), caminham indubitavelmente rumo à sua própria destruição.
nossa, auhauhahu se cuida viu? xD auhahuauh boom nem li tdoo, a letra tah pekenaa :/

bejoo

BANDEIRAS disse...

Tbm acho a mesma coisa: o amor nos emburreci. Que chato é ter essa certeza !!!

Beijinhos e obrigada por responder minha enquete.

Marcelo Martins disse...

Parabéns pelo niver de namoro. Ótima música.
Kisses

Dany disse...

eu me identifiquei tanto com esse texto... escolher sempre foi e é uma coisa difícil pra mim, pq eu sempre penso no outro lado, que se eu tivesse optado seguir por outro caminho, poderia ser mais feliz... complicado!! E sim, eu queria mtoooo tem um botão "On-Off" no meu coração!
Bjs e obrigada por me add no orkut!
Temos o mesmo sobrenome, sou Martins tb, hehehehe!=P

Mila disse...

Ou nos dá um novo olhar sobre as coisas?
Acho que tudo é uma questão de prisma... e por isso a gente não ve bem o que esta diante dos nossos olhos...
Beijos Mila

Ivich disse...

Uau! Tudo novo por aki, sinto um pequeno rubor de comprovar tamanha ausência minha...

É, coração é uma terra de ninguém mesmo! Eu nunca consegui usar o meu vestígio de inteligência para controla-lo. Sofro, apanhho, e quase nunca aprendo a lição completa.
Já os conselhos, eu até gosto, creio que que está de fora, consegue enxergar por outros ângulos. E quanto mais ângulos, a visão do todo se amplia... E aí, talvez, esses observações consigar nos desemburrecer!

Bjo

Mary West disse...

O amor é auto destrutivo. Não tou preparada p/ isso.

Talles Borges e Borges Moreira disse...

Haha posso dizer que no meu relacionamento anterior chorei com Um, aprendi em dobro.
A cegueira amorosa é prejudicial a saude rsrs.
Acabei de responder, desculpe a demora Marcelo.
Estou sem pc.
Te espero la, respondi tudo!

Úniica e exclusiiva disse...

Demorei pra vim postar ... li, reli, li de novo ... e não consigo não me enxergar neste texto ... entendo cada linha, parece minha veia numa transição longilínea pelo corpo ... doideira!

Substituição ... não dizem que ninguém é insubstituível ? Contraditório! ¬¬ [Não tô dizendo que vc fará isso ou faça.]

O curso normal da vida é errar pra aprender ... só os sábios aprendem com os erros dos outros [um dia chego lá, rs.].

Sem mais,
Ma

furanzao disse...

Sem dúvida alguma, sofrer por amor, já é PUNK, agora substituir isso por outro, é a pior burrice. Por isso, M.B. interpreta e exclama tão bem ORAÇÂO AO TEMPO.

[]'s
boa terça

Quase Trinta disse...

Na minha opinião o pior erro dos inteligentes é substimar os outros... assim q acabam errando.

Sim o amor emburrece e muiiiiiito

Bill Stein Husenbar disse...

Amigo Marcelo,

No fim todos seremos intelegentes. Uns mais do que outros. A felicidade também. Uns mais felizes que outros. Mas se esclhermos bem e agirmos para tal poderemos partir descansados, pois quem saiba até nos tornamos Mestres (Como disse e bem a "Cora")

Perfeito amigo.

http://desabafos-solitarios.blogspot.com/